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Entrevista com Eric M. Lang–Ludus
No mês de julho, a Ludus Luderia teve o prazer de receber a visita de uma estrela no mundo dos boardgames. Eric M. Lang é um consagrado autor de jogos de tabuleiros, cujas criações incluem a série de cardgames Call of Cthulhu e A Game of Thrones, que vira e mexe aparece nas mesas da Euroliga e da Jogasampa.
Após participar do evento World RPG Fest, em Curitiba, Eric passou alguns dias em São Paulo, e aproveitou para conhecer a Luderia numa noite de Euroliga (que ocorre toda quarta-feira). Aproveitamos para fazer uma pequena entrevista com o super simpático Eric, sobre, claro, boardgames em geral e o mercado nacional. Confira!
O que você está achando do Brasil até agora? Era tudo o que você esperava?
Eu amei o Brasil! Não é exatamente o que esperava. Apesar de ter pesquisado antes de vir para cá, achava que São Paulo fosse uma espécie de Nova York latina, mas não é. São Paulo é uma mistura de Bruxelas, Bangkok e Chicago, e bem maior do que eu achava. E também bem menos violenta. Agora o que adorei mesmo é a comida. A qualidade e maneira como as carnes são servidas em uma churrascaria são inigualáveis!
O que quanto a Ludus Luderia? Em todas suas viagens pelo mundo, já havia conhecido lugares semelhantes?
Em Toronto, onde eu moro, há uma cafeteria chamada Snakes & Lattes, onde é possível jogar boardgames, mas é algo mais informal, como o que vocês têm com os clientes regulares da Ludus Luderia. Não há nada voltado para o gamer mesmo, como a Euroliga e outros eventos. Sem contar a quantidade de jogos daqui, que é muito maior!
Como é seu processo de criação de jogos? De onde vem sua inspiração?
Em muitos casos, uma editora me procura com uma ideia ou com uma licença que acabaram de comprar. Felizmente, estou num momento da minha carreira em que posso escolher no que vou trabalhar. Então espero, converso com as editora o tempo todo até encontrar um projeto. Em outros momentos faço tudo por conta própria. Gosto de me inspirar com qualquer coisa, geralmente que não sejam os próprios jogos; um lugar, um programa de TV, um livro. Recentemente viajei à Tailândia e tive uma ideia ótima para um jogo enquanto estava lá, só observando.
Você chegou a conhecer alguns jogos de tabuleiros nacionais? O que achou?
Conheci alguma coisa da Galápagos Jogos e de alguns autores independentes. A qualidade para um jogo indie está excelente. No World RPG Fest vi muitos RPGs nacionais, e acredito que eles estão mais avançados em termos de mercado do que os jogos de tabuleiro. Mas isso é algo que leva tempo, e o Brasil tem o potencial para chegar lá, vi muitos protótipos interessantes.
Que dicas você daria para quem quer começar ou está começando a criar jogos de tabuleiro aqui no Brasil?
Playteste, playteste, playteste. Faça muitos playtestes, de preferência com pessoas que não são seus amigos e que não saibam que o jogo é seu. Você só vai ter uma reação honesta dessa maneira. A melhor maneira de melhorar seu jogo é ter seu coração partido mesmo. Além disso, você deve estar presente durante todos seus playtestes. É muito importante você observar a linguagem corporal dos jogadores. Muitas vezes, você pergunta se a pessoa acha que faltam mais opções no jogo e elas respondem um “sim” automático. Porém, você observa a partida e vê que essa mesma pessoa parece perdida e confusa na hora de se decidir. Por fim, o mais importante, nunca force ninguém a jogar. Se as pessoas que já conhecem o jogo pedem por mais uma partida, significa que você está no caminho certo!
Por Renata Primavera

